segunda-feira, 7 de julho de 2008

Parque (?) "Cidade" Jardim (!!!)


Lendo uma matéria da Revista da Folha sobre o empreendimento Parque Cidade Jardim, me lembrei da minha monografia da Faculdade sobre espaços públicos e meu projeto de pesquisa de mestrado que trata da Qualidade de Vida Urbana...


"Uma minicidade está nascendo dentro de São Paulo. É um pequeno universo de sonhos, com promessa de segurança, espaços arborizados, sem engarrafamento e com todos os serviços à mão. Um luxo para poucos paulistanos, mais precisamente os 275 que já se dispuseram a pagar entre R$ 2 milhões e R$ 17,3 milhões por um apartamento no Parque Cidade Jardim, empreendimento que reúne prédios residenciais, comerciais e um dos shoppings mais lu-xuosos da cidade, inaugurado no final de maio."

Engraçado... tudo isso que eles pleiteiam numa cidade, já existe, em todos os bairros sedimentados e estruturados da cidade. Quem não sabe o tanto de coisas que podemos fazer sem pegar o carro em bairros como Higienópolis, Pinheiros, Jardins, Republica, Consolação, etc...

A violência existe e é fato, só vai ficar cada vez pior em função de termos, cada vez mais, condomínios club como estes que só fazem aumentar os muros e diminuir os “olhos da rua” de Jane Jacobs. (leia: Morte e vida de grandes cidades)

"O Parque Cidade Jardim tem como inspiração grandes empreendimentos ao redor do mundo, como o Time Warner Center, em Nova York, na beira do Central Park, e o Bal Harbour Shops, em Miami, na Flórida. "O conceito de uso misto, ou 'mixed-use', combina o 'play' (divertir), o 'work' (trabalhar), o 'live' (morar) e o 'shop' (comprar)", explica Daniel Mcquoid, 51, vice-presidente da construtora JHSF. Em Kuala Lumpur, na Malásia, o Petronas Twin Towers, segundo edifício mais alto do mundo, e o Kuala Lumpur City Center são outros exemplos de empreendimentos dentro dessa filosofia. Além do Parque Cidade Jardim, também em São Paulo, será inaugurado o condomínio Parque Villa-Lobos, com características semelhantes."

Só esqueceram de dizer que qualquer cidadão consegue permear A PÉ ao redor do Central Park, algo humanamente impossível no Parque Cidade Jardim...

"Os Quintela vão, assim, fechar a equação de um novo jeito de viver na metrópole, unindo moradia, trabalho, lazer e consumo dentro do mesmo espaço, uma grande vantagem numa cidade de trânsito caótico. Justificar a opção por mais comodidade, qualidade de vida e segurança não evita as críticas ao novo conceito "4 em 1" de moradia. "É uma tendência que mostra o empobrecimento da questão urbana. Quem vive isolado perde a riqueza de estímulos que a cidade tem", afirma a arquiteta e urbanista Maria Lucia Refinetti Martins, 56, da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo)."

Agora vamos nos lembrar de novo dos bairros citados lá em cima, só como exemplo... consigo morar? sim, e em apartamentos espaçosos, com janelas enormes, pé direito alto... e trabalhar? sim, e seus funcionários não o amaldiçoarão por toda a vida por trabalhar em um local sem transporte público! tem lazer? parques, bares, museus, cinemas, teatros... e consumo? sim! e melhor: pelas ruas!!! Esqueceram de mencionar o quinto item importante: estudar! que é possível em qualquer um dos bairros... em escolas públicas, particulares...

Ah sei lá... não vai nesta encarnação que irão me convencer que isso é legal... Morumbi, Alphaville, Condominio Clube... bah!!! Pataquadas sem fim!!!

Nasci e cresci no centro desta cidade. Andava de bicicleta às 10 horas da noite pela avenida São João. Brincava nos finais de semana na rua Helvétia. A vida inteira pude sentir a cidade andando a pé (fato imprescindível para um futuro arquiteto). A cidade é a minha paixão.

Tenho medo dos arquitetos que andam surgindo por aí...

2 comentários:

Raffa Mello disse...

E pensar q eu trabalho nessa porra q julgam ser a 8° maravilha do mundo! Inda bem q tah acabano...adorei seu post!

Magali na escuta disse...

Não subestime seu trabalho! O importante é termos senso crítico! E fazer nosso trabalho bem feito!